
Escorregadio
Uma mão desliza para frente e para trás sobre o outro antebraço.
Este trecho escorrega. Preste atenção.
Antes do seu passeio
Este é o briefing que damos no começo de cada passeio. Leia uma vez em casa e ele já vai soar familiar quando você estiver no topo do cânion.
A parte do cânion que pede mais atenção é a caminhada. Na corda você está no momento mais seguro do passeio: tem um guia em cima e um guia embaixo, e entre os dois eles podem te descer, te segurar ou colocar uma linha de segurança extra.
Caminhando, você tem mais liberdade e mais responsabilidade. Não estamos segurando sua mão, então mantenha um bom ritmo, mas sempre seguro.
O terreno é irregular e a pedra escorrega. É por isso que existe tudo o que vem a seguir.
Entre as cachoeiras, gritar não funciona, então usamos sinais de mão. Aprenda estes quatro.

Uma mão desliza para frente e para trás sobre o outro antebraço.
Este trecho escorrega. Preste atenção.

Bata com o punho fechado no topo do capacete.
Se um guia aponta para você e faz o sinal, está perguntando se você está bem. Responda com o mesmo sinal, ou mostre que não está.

Mãos abertas esfregando para frente e para trás no topo do capacete.
Nervosismo, pé preso, enroscado nas plantas, uma lesão: qualquer motivo vale. Fique calmo e não grite. Muita gente grita quando está se divertindo, então um grito não nos diz nada. Faça o sinal e a gente vai até você resolver.

Braços cruzados em X.
Pare onde está e não faça mais nada.
Trabalhamos em equipe: quando alguém faz um sinal, passe para trás até a última pessoa ver. Se a gente faz o sinal de escorregadio, todo mundo faz o sinal de escorregadio.
A maior parte do dia é caminhando pelo leito do rio. Primeiro, como a gente se move nas partes íngremes. Depois, as regras.

Abaixe seu centro de gravidade e coloque as mãos na pedra. É a posição mais segura que temos e você vai usar muito nas partes técnicas ou escorregadias.

A cadeirinha tem um protetor de assento, então nos trechos mais difíceis você pode sentar e descer deslizando com as mãos, o bumbum e os pés. A gente faz muito isso.
Mesmo que tenha água. A gente passa pela água.
A água pode ser rasa, e água rasa é perigosa. Cada salto tem seu próprio briefing na hora.
Quanto mais alto você está, pior é a escorregada. Quanto mais baixo a gente caminha, menor a chance de se machucar.
Nunca na frente, nunca para o lado. A gente escolhe o caminho mais seguro; o seu caminho pode te levar a um lugar mais técnico.
As beiradas são a pedra mais escorregadia do cânion. Uma espiadinha curiosa pela beira é como as pessoas caem.
Toda vez que você sai da corda, a gente te coloca no lugar mais seguro para esperar. Fique ali.
Do começo ao fim. O capacete sai no carro, não antes.
Na corda, um guia controla o sistema. O seu trabalho é o rapel em si: mãos, posição do corpo, passos pequenos.
O mosquetão e o oito são com a gente. Se deixamos aberto, é porque estamos preparando para o próximo trecho. Se você mexer, pode perder.
Segure a corda abaixo do sistema, o lado da segurança: mão direita no quadril, mão esquerda logo abaixo do oito. As duas mãos são freio.


Para descer, suba um pouco as mãos para deixar a corda correr, depois volte para a posição de freio. Repita até chegar embaixo.
Segurar a corda exige muito pouca força. Uma mão muitas vezes basta, mas use sempre as duas, e nunca solte tudo.
Se alguém soltar, tem um guia embaixo segurando a corda (segurança de baixo, ou bombeiro). Ele puxa e você para. Não é perigoso, mas a regra continua: duas mãos do lado do freio, sempre.
Pés afastados em V, pernas firmes como se estivesse andando no chão, nunca totalmente dobradas. Sente na cadeirinha e incline para trás até o corpo ficar a uns 45° da parede.

Ande de costas com passos pequenos e vá dando corda o tempo todo, num ritmo constante. Parece mais difícil do que é e fica mais fácil depois dos primeiros metros.
Um passo grande e você perde os 45°, o corpo fica na vertical e você escorrega para frente. Sempre.

Acontece e não é nada demais. Você pode tirar uma mão do lado do freio para se apoiar na parede. Só uma mão, nunca as duas.
Se você ficar pendurado com os pés fora da parede: as duas mãos na corda, pés de volta na parede, de volta aos 45°, mãos de volta no lado do freio. Depois acene com a cabeça, ou bata o punho no capacete, e o guia embaixo te dá corda para continuar.
Manda um WhatsApp pra gente. Podemos estar no meio de um cânion, mas respondemos quando sairmos.
Até lá em cima. José e a equipe